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Por que brincar?

 

“O  jogo   é  um   exercício   da

preparação para a vida séria.”

(Gross, 1974).

 

A primeira experiência de autoria é o brincar, segundo Alicia Fernández. O bebê toma sua voz para fazer um balbucio ou seus pezinhos para fazer alguns movimentos sobre a superfície do colchão, fazendo uma experiência de autoria, a qual inaugura o pensamento.

Brincar permite-nos fazer a experiência de tomar a realidade do objeto para transformá-lo ou, o que é o mesmo, de transformar a realidade aceitando os limites que ela nos impõe. O pensamento nasce nesse momento com o intuito de resolver tal desafio.

O brincar é mais que técnica de trabalho, pode-se considerar como o terreno através do qual o sujeito poderá liberta-se à inteligência.

O brincar pode ser visto como a possibilidade de relatar(se) e inventar(se). Quando uma criança brinca, realiza a tarefa de construção e reconstrução permanente.

O brincar, salienta o psicanalista Paulo C. Vasconcelos, é, para os bebês, uma das primeiras formas de explorar o mundo. “Quando o indivíduo começa a explorar o mundo e o universo, passa a vivenciar sentidos”, explica Vasconcelos, coordenador-adjunto do Laboratório de Pesquisas sobre Infância, Imaginário e Comunicação (LAPIC), do Departamento de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) e coordenador do curso de mestrado em comunicação da Faculdade Anhembi-Morumbi (SP). Segundo Vasconcelos, a criança deve estimulada a brincar, independente do brinquedo. “Pode ser até uma tampa de panela, não importa. O que é essencial é que uma pessoa mais velha o faça, pai, mãe, tia, irmã... Lacan dizia que quando a criança se vê no olho da mãe, começa a achar quer faz parte dela. É o desenvolvimento da confiabilidade. A criança que não tem este estímulo, perde automaticamente este identidade”.

Através dos jogos e brincadeiras, é possível observar o desenvolvimento do sujeito, de forma geral: motricidade, linguagem, convívio social, etc.

Segundo Platão, o mistério do jogo encontra-se fora da vida diária. O brincar possibilita: desenvolvimento da aprendizagem; inteligência / concentração / atenção; desenvolvimento da linguagem; desenvolvimento da sociabilidade; libera a criatividade, o que favorece a inteligência. Brincar é igual a trabalhar para a criança, mas com prazer. Aquilo que não passa condição do prazer, não se aprende. Então, pode-se dizer que o brincar, assim como os contos, trabalha a subjetividade, através do lúdico, é formador de parte da personalidade porque chegam ao inconsciente por caminhos diferentes do recalque? Se realmente a criança se identificar, dentro da brincadeira, com o que ela estiver vivenciando no momento, sim.

 

Giselly Caldeira

Psicóloga

CRP - 38364

 
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